terça-feira, 25 de setembro de 2012

Doxa


Abrem-se mundos diante de olhos particulares
E eis que sempre há quem queira fazer ver por seu olhar;
Dtiar as rgeras, enaljuar, lmiaitr, cgear...
Atenção! Cuidado!
Não há verdedae, senão verdades...
É tudo doxa, opinião;
E não importa, contanto que ela seja verdadeira.
Pensar é,
Enxergar, transformar, um eterno  
(re)Pensar
É “Voar fora das asas”,
Se
L I B E R T A R 


São João del-Rei, 21 de setembro

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Acetia Feminina

Coffee And Cigarettes by Michelle Featherstone on Grooveshark


É com grande honra que publico este texto que foi escrito pela minha nova companheira de viagens escritas: Verônica Motta! Portanto este espaço, acetia feminina, é todo dela! Dá-lhe Verônica!

O meu copo já está cheio!

O meu copo já está cheio! Frase que ouvi hoje, muito interessante para definir o meu estado. Mas qual estado? Tem um provérbio chinês que se diz: “你可以不填的杯子已经满了。” Para quem está sem o google tradutor: "não se pode encher uma xícara que já se encontra cheia. " Isto quer dizer que somos apenas uma única xícara? Não sei se seria capaz de simplesmente jogar fora meu chá [de manteiga] para colocar outro. 
           
Para que me torne um recipiente estéril, ainda terei que lavar minha xícara... Para que não fique sem nenhum sabor do meu antigo, amargo conhecimento. Sim, sou uma xícara cheia. O que isto me torna?! Um ser incapaz de percepção? Incapaz de compreender? Não acho! Mais uma vez, trata-se de uma xícara cheia que está falando! 

Às vezes o mundo nos cobra o vazio. O vazio para que possamos preenchê-lo... O que chega a ser irônico. E quando preencher? Terei de esvaziar? Onde está a verdadeira lição, em encher ou esvaziar? Serão as duas?
               
A verdade é relativa? Ou absoluta? Lógico, a verdade absoluta é relativa. Sim. Os dois. E por que não aprender, mesmo quando estamos cheios! Aprender, conhecer... Não se trata apenas de encher a xícara, mas sim, saber que existem outras xícaras! E com certeza, chás mais deliciosos! [o que não é difícil em se tratando do tradicional chá de manteiga] 
           
Acho muito engraçado o bule mundial. Sempre cheio de seus chás... E nós, verdadeiras porcelanas, prontas para receber qualquer tipo que seja, qualquer temperatura que seja. Simplesmente divino. Mas, e o bule, perguntou para a porcelana, qual o tipo de chá? Sim estou cheia de mim mesma! Não estou cheia de chá de qualquer bule! Busco sempre saber qual a procedência do chá. Uma ciência não é melhor que outra, uma música não é melhor ou pior que a outra. São diferentes. 
                
Costumo dizer que a diferença entre o vencedor e o perdedor, é que o vencedor conhecia melhor os seus próprios defeitos melhor que o perdedor. O vencedor, para mim, não é o que melhor conhece o seu adversário, mas sim, quem melhor se conhece, conhece os seus pontos fracos. 
               
Assim são os chás. Cada um tem uma função, uma especialidade, mas se utilizados de maneira inadequada, podem agravar e não melhorar. Não gostaria de simplesmente esvaziar minha xícara para colocar outro que não sei qual a sua função. Mas... não nego sua existência. E cada vez que me conheço, eu encho minha xícara... Isto irá me tornar uma perdedora? 

O conhecimento é fantástico! Faz parte de uma teia afrodisíaca! Cada palavra, cada sílaba traz consigo um quê de místico, momentos de pura simbiose. A plenitude do aprender preenche qualquer vazio humano. Menos... menos, sim... menos o do amor. Amor, paixão, sexo... prazer, alegria, amizade, compaixão, companheirismo... Sim. E apesar de a xícara estar cheia, você é capaz disto tudo. É justamente, aquela espuma divina que se coloca no cappuccino... quando a xícara está cheia! 

En†ão sim... a minha xícara está cheia, mas sempre terá espaço para a espuma, e quando eu tiver a espuma, por favor, sirva a coca-cola em um copo com gelo e limão. 





Verônica Motta

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Autorretrato de um broxado


Eu sou daquele tipo de gente que diz
“faça o que eu digo, mas não o que faço”;
Amiúde me pego aconselhando alguém:
“Isso passa, sempre passa...”;
Mas eu mesmo me prendo ao que teima em não passar...
“Larga esse cigarro, fumar faz mal...”;
E sou eu quem compra o isqueiro pequeno
Pra viver na ilusão de que quando ele acabar eu paro;
Eu já quis fazer uma tatuagem,
Quando achava que assim seria subversivo,
Mas depois que vi uma avó tatuada, broxei;
Aí me dei conta da existência do tempo,
Um tempo além do relógio, um tempo tácito e entorpecente; metafísico,
Que passa sem barulho, sem dizer, e
Na medida em que passa, leva gente, bicho e os cabelos da cabeça;
Faz envelhecer, comutar, e muitas vezes parar;
Vinte e cinco anos e já sou um velho chato;
Prefiro ficar sozinho a ter que suportar o tédio das pessoas;
E gosto de ficar trancado no quarto;
Eu sou um fingidor, e nem poeta sou;
E talvez seja essa a diferença entre Thales e Fernando Pessoa;
Sim! Falta-me um sobrenome!
E eu até gosto do meu;
Thales Tiago do Nascimento;
Paguei minhas contas e não sobrou nada pra beber;
O jeito é pendurar lá no Matias;
Tô cansado dos sorrisos, e olha que nem sempre são falsos;
Tô cansado de tanta superficialidade, mau gosto, e
Pelo simples motivo de que tudo isso me reflete;
E esses livros na estante, todos calados;
Servem apenas pra eu fingir intelectualidade;
Broxei; e afinal
“Eu sou um rapaz latino americano que também sabe se lamentar”;
Voltarei a rezar?! Não!
Vou ao Dr. psicólogo?! Melhor, ao Dr. psiquiatra?!
Dogma, droga e remédio...
No fim, só muda a dissimulação,
A acomodação, a camisa de força, a forma de coerção;
Cortei o cabelo e agora vou aparar a barba;
Minha mãe vai ficar contente de ter filho decente
E as meninas vão me chamar de fofo;
Vou escancarar minha vida em redes sociais,
Talvez alguém fale de mim;
Tantas formas de prazer...
Ah, a vida é mesmo muito boa, excitante...
Tomo café, fumo e vejo futebol,
Mas quando o despertador toca
Eu peço pro mundo parar;
Tô broxado, e ainda assim...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

É possível uma moral sem Deus?

Concerto for Violin and Oboe in C minor, BWV 1060: II. Adagio by Bach on Grooveshark
Certa vez perguntaram a José Saramago (1922-2010) se é possível ser bom sem Deus. A resposta dele foi bem humorada – pelo menos eu achei; respondeu perguntando se era possível ser mau com Deus. Grande Saramago! Pois bem, mencionei o grande escritor português, porque a resposta dele me faz lembrar duma questão que há muito vem me intrigando, embora eu já esteja convencido de que a minha resposta a ela é válida. Qual é o problema? É possível uma moral sem Deus? Os mais jovens e impulsivos – desculpem-me, mas geralmente, nós, os mais jovens, somos também mais impulsivos -, responderão de bate pronto, quase com um riso de desprezo por uma pergunta (que creem ser) tão boba, que sim, é óbvio que é possível, possível não, é certo! Também concordo. Também acho óbvio isso. Mas achar não basta. E você já parou pra pensar nas implicações possíveis? Daí vem uma necessidade: argumentação. Explicação lógica e clara, tentando excluir ao máximo os erros e preconceitos e, dessa forma, evitar algumas armadilhas e a superficialidade. É isso que vem me intrigando, essa busca. Embora esteja em uma pesquisa de outro âmbito atualmente, pretendo investigar mais este tema. E aonde buscar? Sim, na filosofia! Quero deixar claro, antes de tudo que, não se trata aqui de crer ou não em Deus, isso compete a cada um – pertence a um campo que não entrarei, o da a fé. Mas é muito importante que nós, homens e mulheres, assumamos a responsabilidade por tudo que nos acontece. Sartre (1905-1980) já dizia que o homem é condenado a ser livre. Caro leitor, consegue perceber a profundidade e o impacto disso? O próprio Sartre disse também que o inferno são os outros, e podemos deduzir daí e sem erro que também somos nós. Responsabilidade. Palavra de peso. Nietzsche não disse isso? Sim, somos nós! O Homem deve superar o homem! Peço desculpas pela falta de profundidade com que escrevo isso, mas é que esse espaço é mais descontraído e livre de certas amarras. Por isso as voltas e a confusão. Voltando a questão da moralidade, tenho lido ultimamente uma conferência de Hannah Arendt (1906-1975), intitulada Pensamento e Considerações Morais, na qual a autora fala de uma possível ligação do “mal” com uma incapacidade de pensar. Isto mexeu muito comigo. Algo interessante – e adianto o assunto caindo no erro de deixar tanto para trás, mas do contrário, você não leria isto, leitor preguiçoso -, é que essa capacidade de pensar não diz respeito à intelectualidade e tal, já que como diz Arendt, vários intelectuais consagrados fizeram grandes “merdas” – merda é por minha conta- durante a história da humanidade. Essa incapacidade de pensar tem a ver com a consciência. É como que uma incapacidade de se acessar a consciência, algo que acontece até nas mentes mais brilhantes. Encerro por aqui, prometendo trazer algo mais elaborado – estou preparando um artigo acadêmico sobre o tema. Antes, porém, gostaria de citar algo que a própria Arendt usa na conferência mencionada. Um trecho da obra Ricardo III de Willian Shakespeare, no qual o rei, que havia cometido vários crimes para conseguir o trono, trava um diálogo feroz consigo mesmo (consciência, nosso maior inferno):
What do I fear? Myself? There’s none else by.
Richard loves Richard: that is: I am I.
Is there a murder here? No. Yes, I am:
Then fly. What from myself? Great reason why-
O no! Alas, I rather hate myself                                                                           
For hateful deeds committed by myself
I am a villain. Yet I lie, I am not.
Fool, of thyself speak well. Fool, do not flatter.
(Trecho extraído de A Dignidade da Política, 2002, p. 165).

Referências:
ARENDT, Hannah. A Dignidade da Política: Ensaios e Conferências. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.

domingo, 9 de setembro de 2012

Inimizade feminina


Estou convencido de que as mulheres são os seres mais galhofeiros do mundo. Só pode ser isso. Sabe esses joguinhos, em que cada uma cria as próprias regras que, na verdade são universais entre elas, mas que também basta uma referência à outra pra que elas mudem tudo? Estranho, né? É assim mesmo. São muitas as coisas que não consigo entender... Como é que uma roupa igual pode provocar tanta raiva? Se acontecer com um homem, ele vai pensar que o outro cara tem bom gosto, que é massa. Com mulher vira ódio, raiva, histeria... E por que as mulheres comentam tanto umas com as outras sobre namorados, sobre maridos? E coisas tão íntimas... Íntimas, não, há coisas que nem a gente sabe que tem... Fica meio inevitável despertar a cobiça da outra, né... Se ela tem, eu também posso (quero) ter... Homens sempre vão falar de sacanagens. Mas nunca da própria mulher. Isso não! Até na masturbação as musas inspiradoras vem de fora! Ah, leitor (a) pudico e hipócrita! Não me xingue! Sejamos honestos! Que há em falar a verdade? Teve uma vez que um amigo de um amigo meu, ficou afim de uma menina. E ela nada... Eles trabalham juntos – detalhe. Certo dia, depois de muita insistência, ele desistiu. Aí, comentou com outra colega, também  do trabalho, que iria sair com outra menina. No mesmo dia a primeira menina o procurou e  convidou para sair qualquer dia... Engraçado, né? Acontece sempre... E quando você, leitor, homem, chega todo carinhoso pra sua mulher, começa a beijá-la, a acariciar, a tirar a roupa, e, de repente, do nada, ela inventa uma dor de cabeça... Putz! E o pior é quando ela faz isso esperando que você a pegue à força! Acontece muito! Não, leitor, não conheço de mulheres, pelo contrário! Acho até que ninguém conhece... Só estou relatando o que ouço por aí... Foda é que os sinais são muito enigmáticos, às vezes muito herméticos, quase metafísicos, e, no entanto, são tão físicos! Ou será que não? E quando você quer algo mais violento e elas se assustam, ou fingem susto... Atenção, carinho e muita sacanagem, ta aí a fórmula. Mentira, não existe isso. Fato é que as mulheres são os seres mais adoráveis do mundo! Não existe coisa mais perfeita e bela! Ah, outra coisa. Já repararam na amizade feminina? Coisa mais  linda, delicada, frágil... Sempre tenho a impressão de ver escorrer inveja, cinismo e uma maldiçãozinha em cada Seu cabelo tá tão lindo! Essa roupa ficou tão bem em você... Vocês formam um casal tão bonito... Linda a amizade entre duas mulheres! Mas uma advertência, amigo leitor: nunca arrume uma inimizade feminina! Nunca mesmo! É devastador! Creia-me... 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

6° Festival de Literatura de São João del-Rei

De 26 a 29 de setembro, acontece nos arredores do centro histórico de São João del-Rei, o 6° FELIT. Esse ano será homenageada a escritora Adélia Prado. Para mais informações acessem: http://felit.com.br/vi-felit/

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um bom homem

Beware Of Darkness (Concert For George) by Eric Clapton on Grooveshark
Começou a reclamar da casa, do carro que já estava velho, do meu trabalho, de tudo; coisas que mulher faz e a gente por mais que tente entender, não consegue. Quase me tirou do sério. Escutei tudo calado, sério; peguei no seu braço, e ela gritou pra soltar. Estava machucando. Ela sabe que não gosto de escândalo. Soltei, e ela se sentou na cama chorando; um choro assustado e mimado. Sentia que ela fazia isso como que pedindo pra ser mandada; queria rédea, autoridade e jugo pra exercer sua submissão de alma limpa. Aí me lembrei do meu pai, e tive raiva de mim. Deixei-a chorando e fui caminhar pra espairecer. Minha mãe sempre amou meu pai, e demasiadamente. E ele sempre carrancudo, pronto a explodir. Dava medo. Quando a gente fazia bagunça – eu e meus irmãos -, nem a mãe o convencia de não bater. Ele fechava a cara e falava grave e grosso: vai estragar esses meninos. Cê não deixa eu educar. Se virar merda a culpa é tua. Ela chorava, eu sei que chorava. E chorava escondido, um chorinho abafado que me enchia de ódio do meu pai e fazia pensar: quero ser tudo diferente dele... Aí eu falava, porque que cê não se separa dele? A gente já é homem; eu começo a trabalhar. Cuido da senhora. Ela enxugava os olhos, me dava um beijo na testa, e voltava pros serviços da casa. Tadinha, uma santa. Sempre submissa. Tinha sonhos pequenos, uma cozinha grande e máquina de lavar. A única extravagância que se permitia era sonhar com uma viagem pra Veneza. Nunca ousou desobedecê-lo. Lembro que meu pai quase nunca elogiava nada. Era muito calado, fechado. Tinha vezes que ele dizia que a roupa da cama estava cheirosa. Mas toda vez que chegava do trabalho, ele pegava no braço dela, com aquelas mãos grossas, puxava-a contra o corpo e metia-lhe um beijo no rosto. O máximo de demonstração de afeto. E era grande, depois entendi. Era amor de homem duro e simples. Minha mãe ficava agradecida e corria pra esquentar a janta. Tudo funcionava. Meu pai mandava, a gente obedecia. Dia desses fui visita-los. Ele me viu e falou, tá um homão, hein. Apertei forte a mão dele; e ficamos ali, calados. Calados e entendidos um do outro. Hoje vejo que sou muito dele, é incrível. O mesmo carrancudo, chato, duro, caladão e meio sem jeito. Minha mãe chamou pra tomar café. E a Helena? Tá boa, mãe, graças a Deus. Minha mãe adora quando falo graças a Deus, isso a deixa meio aliviada; outra coisa que hoje entendo. Uma boa mulher minha mãe; submissa, crédula, resignada, pouco cérebro e muito sentimento. Já ouvi dizer que a gente procura mulher que se pareça com a mãe. Será? Fato é que nunca achei uma com uns olhos tão verdes e com aquele cheiro de quando ela sai do banho... Mãe, cê gosta do pai? Não tem homem melhor nesse mundo, filho. Isso me aliviou. Pensei na Helena e fiz as pazes comigo mesmo. Meu pai é foda, sabe tratar de mulher... Comprei uma flor. Já em casa, Helena me beijou sedenta. Aí fiz o que um bom homem faz pra “deixar feliz sua mulher”. Sou um bom homem; duro, grave, protetor e mandão.