segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Augusto dos Anjos

Sofreste com a angústia da busca errante,
com os mistérios de fora do tempo,
com as luzes que, de tão claras 
e de tão distantes,
fogem ao entendimento.
A vida é dor, disseste;
e da dor tu soubeste como ninguém,
destilar a pureza absurda.
Ah, poeta inquieto!
Ah, agoniado pensador!
O Deus-verme roeu-te as entranhas,
as carnes,
a melancolia dos olhos
e o sorriso custoso e desacreditado.
Mas também roeu-te as tristezas,
as dores
e o desassossego.
Portanto, aquieta-te, oh poeta do desespero!
Afasta-te da angústia,
mas nunca interrompas a busca...
Olha que já te é possível buscar
sem ter o sofrimento a fazer-te companhia...
Descanse, poeta!
Entretanto, sobre o límpido e radiante sol da Paraíba,
Siga nos encantando e inspirando...
Oh, poeta inquiridor! Acalme a alma sôfrega!
Agora, que te é apaziguada e serena
a vida fora do caos material,
teu espírito augusto, altivo e taciturno,
já tem consciência de que és!
E assim, um tanto mais sabedouro
das leis ainda desconhecidas
pelas rastejantes mentes materiais (mortais),
reconheces, mais  uma vez,
e de modo lógico, emotivo e natural,
"o império da substância universal".
Pois alcançastes o apogeu...
e no infinito fúlgido dos anjos,
estás,
enfim,
com os teus...