domingo, 15 de setembro de 2013

Minas - inefável

Minas by Milton Nascimento on Grooveshark

Em Minas está minha família:
mãe, pai, avô, avó, três irmãos,
tios, tias, primos, primas e a Luana.

Em Minas deixei riso, choro, futebol;
amores castos e paixões avassaladoras, perversas,
mulheres inesquecíveis, outras amadas às pressas;
amigos de silêncios, outros de conversas,
poucas desavenças e muita saudade,
poucas palavras, muito pensamento, muita liberdade.

Em Minas estão, sobretudo, minhas raízes
encravadas no mais profundo solo mineral;
na terra ferrosa, que faz a gente forte,
na terra do ouro, que faz a gente inoxidável,
na terra dos diamantes, que faz a gente ser inquebrantável.

E se hoje parto, é para que no mundo além das suas montanhas,
eu mais te sinta, e você mais me doa,
num amor purificado pela dor da sua distância
física, a que toda metafísica transcende,
e te faz aqui, neste coração
que um dia há de perecer e que bate doloroso,
sempre presente;
e que te faz aqui, neste espírito grave, taciturno em sua contemplação,
eterna habitação.

Minas, tácita e introspectiva,
das procissões e de tantas dores fúnebres,
de prantos e encantos,
de gente a espiar pelas frestas de portas e janelas;
Minas, artística, musical,
de poetas, quitandeiras, construtores, compositores,
de sinos a anunciar sua potestade;
Minas histórica, forte no presente, sublime em sua tradição,
Minas atemporal
livrai-me de tua ausência, maior mal.

Em Minas estou por inteiro,
pois de Minas levo tudo por onde vou
- tropeiro que sou.

Minas real e irreal,
feérica, onírica, indelével.
 – recanto dos meus planos e sonhos,
dos meus gozos, gemidos e ais.
Minas infinita além das serras,
meu lugar, minha terra,
Minas Gerais.

Em Minas nasci, em Minas espero morrer,
mas em Minas quero mais viver.

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